Época Negócios: CEO da Oceana, Daniel Dall’Asta Frasson, fala sobre algas marinhas calcificadas, o Lithothamnium

Oceana. Oceana Minerals. Oceana Brasil. Lithothamnium. Algen. Lithonutri. Acqua tratement. Acqua fooad. Fertlizante. Fertilizantes. Nutrição Animal. Nutrição vegetal. Tratamento de água. Aumento de produtividade do campo.A cerca de 50 quilômetros da costa de Tutoia, no norte do Maranhão, no fundo do oceano, está uma jazida única no mundo. É um tesouro que somente há pouco passou a ser explorado pelo país. Trata-se de um enorme banco de algas Lithothamnium, uma fonte renovável que pode ser usada como insumo orgânico e tem potencial de tratamento para doenças como o linfoma.

Conhecida há mais de 200 anos, a Lithothamnium não era exatamente rara – mas tornou-se escassa pela exploração feita de forma desordenada em outras regiões de mundo, sobretudo Europa e Ásia. “A descoberta dessa jadiza é uma enorme oportunidade para fazer as coisas da maneira correta”, diz Daniel Frasson, presidente da Oceana, a empresa brasileira com direito a explorar a área. “Entre outros cuidados, nós só fazemos a extração da alga já morta, sem, de forma alguma, prejudicar a parte viva do banco.” A Lithothamnium depois de morta se calcifica – e é essa alga calcificada que a Oceana extrai do fundo do mar.

A jazida foi descoberta há mais ou menos dez anos por um mergulhador amigo da família investidora. Ele desconfiou que a combinação de correntes marítimas e incidência solar da região poderiam ser propícias à Lithothamnium – acertou. A extração, no entanto, só pôde começar em 2014, depois de dezenas de estudos técnicos ambientais, licenças e autorizações para a exploração sustentável.

Para colocar a operação em pé, foram investidos perto de US$ 50 milhões. A infraestrutura inclui uma embarcação com draga, um pequeno porto e uma unidade de beneficiamento. Após retirado do mar, a alga calcificada é tratada e transformada em insumo orgânico para uso agrícola – vendido sob diferentes formas pela Oceana. O uso da Lithothamnium, segundo a empresa, pode aumentar em até 20% o aproveitamento de fertilizantes químicos – na prática, significa usar menos fertilizantes para os mesmos resultados. Outro benefício é a maior durabilidade dos produtos nas prateleiras – até 30% mais no caso dos hortifrutis, por exemplo.

Hoje, a Oceana produz perto de 40 mil toneladas por ano de produtos, com estimativa de receita para 2018 de R$ 62 milhões. Parte do ganho é distribuído entre o município de Tutoia, o estado do Maranhão e a União, como Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).

 

Fonte: Época Negócios