Valor Econômico: CEO da Oceana, Daniel Dall’Asta Frasson, fala sobre aposta em alga marinha para fertilizantes

Daniel Dall Asta FrassonA localização de uma combinação específica de correntes marítimas, salinidade e incidência solar no litoral de Tutóia (MA) levou à identificação da jazida da alga marinha de origem mineral Lithothamnium  com grande pureza e concentração de nutrientes, como aminoácidos, cálcio e magnésio, e à criação da Oceana, estabelecida para explorar o potencial da alga em aplicações de nutrição animal e fertilização agrícola.

A empresa nasceu com aportes em torno de US$ 50 milhões injetados por investidores brasileiros, um dos quais acostumados a avaliar iniciativas no segmento. A operação teve início em 2014, depois da obtenção de todas as licenças ambientais necessárias para viabilizar o processo de extração sustentável.

Também foi preciso implantar a infraestrutura composta por uma embarcação de 50 metros com draga, um pequeno porto próprio, caminhões para transporte, equipamentos para secagem natural e moagem, no parque industrial maranhense, e uma unidade de beneficiamento em Catalão (GO), onde o pó puro, empregado como farelo para nutrição animal e fertilizantes para determinadas culturas, como café é misturado a outros componentes fertilizantes para outras lavouras, como cereais.

Outro investimento relevante foi em pesquisas acadêmicas que comprovassem os resultados do produto e rompessem a barreira do desconhecimento. Embora o Brasil concentre as maiores reservas mundiais do Lithothamnium, a alga é consumida principalmente nos países do hemisfério norte, como França, Japão, Canadá e Estados Unidos, e pouco empregada por aqui.

Instituições como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq – USP) e instituições de pesquisas europeias, como a holandesa Wageningen Univertsity, ajudaram a demonstrar impactos como o aumento do rendimento médio da soja de 55 sacas para 65 a 66 sacas por hectare. “A maior produtividade, a melhor homogeneidade dos frutos e o crescimento do tempo de prateleira são evidentes em culturas como milho, algodão café e hortifrutigranjeiros”, diz o presidente da companhia, Daniel Frasson.

O executivo chegou à Oceana depois de passar uma década no Monsanto, voltada a organismos geneticamente modificados. Foi atraído pelo oportunidade de se juntar à startup, focada na tendência mundial do apelo orgânico e sustentável, como potencial de abocanhar uma parcela do mercado de fertilizantes – algo perto de 35 milhões de toneladas no país em 2016, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

Um dos maiores desafios da novata, que não emprega nenhum composto químico em todo o ciclo produtivo, é acertar o foco, dada a diversidade de usos do produto. “O Lithothamnium se aplica às dez principais culturas do Brasil”, diz Daniel Frasson.

Outro ainda é educar o produtor brasileiro, cujo desconhecimento sobre o produto ainda é grande. O primeiro e até hoje maior cliente da empresa é do próprio Estado do Maranhão, que emprega o produto em soja. Também é da região pelo menos metade dos funcionários da fábrica local, onde o executivo de aloja pelo menos uma semana a cada três meses. “São mais de cinco horas de carro entre São Luís e Tutóia”, descreve.

No total, a empresa emprega cerca de 100 pessoas. Hoje a Oceana vende cerca de 40 mil toneladas ao ano das linhas Algen e Lihonutri, voltadas respectivamente à nutrição animal e vegetal, mas sua capacidade de produção chega a 150 mil toneladas anuais. Recentemente, fechou acordo de cooperação e distribuição com a distribuidora holandesa de ingredientes Jadis Addittiva, para fortalecer as vendas nos países da região e desenvolver novos produtos. Segundo Daniel, a expectativa é de novos negócios da ordem de EUR 5 milhões em três anos.

 

Fonte: Valor Econômico.