Algas marinhas aumentam o peso da batata

Nilva Terezinha Teixeira

Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora de Nutrição de Plantas, Bioquímica e Produção Orgânica do Centro Universitário do Espírito Santo do Pinhal (UniPinhal)

nilvatteixeira@yahoo.com.br

 

A batata é uma dicotiledônea da família Solanaceae, pertencente ao gênero Solanum, que contém mais de 2.000 espécies. Destas, cerca de 160 produzem tubérculos.

Entretanto, apenas cerca de 20 espécies de batata são cultivadas. A propagação desta cultura se dá por meio dos tubérculos, que são caules modificados, também chamados de batata-semente.

O material propagativo deve ser de boa qualidade, estar em estado fisiológico e a brotação ser adequada, para que se tenha probabilidade de boa safra da cultura. Dentre estas características, a brotação dos tubérculos é um dos fatores mais importantes.

Para estimular a brotação dos tubérculos, os agricultores lançam mão dos denominados reguladores de crescimento, que atuam como sinalizadores químicos na regulação do crescimento e desenvolvimento de plantas.

São substâncias químicas naturais ou sintéticas que, quando aplicadas nos vegetais, induzem modificações na fisiologia das plantas provendo enraizamento, desenvolvimento vegetativo, floração, frutificação e maturação dos frutos. Entre os agentes naturais estão as algas marinhas.

Benefícios

As algas marinhas representam uma fonte de muitas substâncias valiosas do ponto de vista da fisiologia da planta. Tais organismos contêm reguladores de crescimento, como citocininas, auxinas, giberelinas, betaínas, macro e micronutrientes (essenciais para o desenvolvimento e produção vegetal).

Ainda, a introdução das algas nos cultivos melhora a retenção de água e a qualidade microbiológica do solo, pois promove o crescimento de microrganismos benéficos. Plantas tratadas com extratos de algas marinhas apresentam um aumento na captação de nutrientes (e um profundo desenvolvimento radicular, melhorando a formação de raízes laterais).

Particularmente em relação à batata, os efeitos dos reguladores de crescimento são evidenciados na brotação dos tubérculos sementes, no enraizamento e tuberização, que são épocas de acentuada divisão, expansão e diferenciação celular.

 

Experimentos

No UniPinhal, Espírito Santo do Pinhal(SP),em trabalho de conclusão de curso o acadêmico Marcos Paulo Felipe de Moraes estudou a ação de formulado comercial contendo algas marinhas calcárias na brotação e enraizamento de tubérculos de batata.

O trabalho foi conduzido nas dependências da casa de vegetação do Curso de Engenharia Agronômica do Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal (Unipinhal), no período de setembro a outubro de 2017.

Foram utilizados tubérculos de batata (Solanumtuberosum) cultivar Ágata sem qualquer tratamento e tratados com ácido giberélico (GA3) e com formulado comercial contendo algas marinhas calcárias. Cada parcela constituiu-se de laminado plástico de dois litros de capacidade contendo solo classificado como argissolo corrigido quanto à fertilidade pela análise de solo e exigência da cultura.

Nas parcelas tratadas com GA3 o procedimento foi: imersão dos tubérculos por dez segundos com solução de 0,250 g.L-1 de GA3. Já as parcelas que receberam as algas marinhas adicionou-se no solo 1 g do formulado. Após 28 dias do plantio procedeu-se à coleta das plântulas. Separaram-se os brotos e raízes que foram pesados. Avaliou-se, também, o número de brotos por plântula.

As observações visuais mostraram que as plantas das diversas parcelas tiveram comportamento diverso, conforme o tratamento a que foram submetidas.

Os resultados biométricos ilustrados na figura 1 mostram que a introdução de GA3 promoveu maior enraizamento, expresso pela massa fresca obtida. Porém, a observação visual evidenciou que as raízes eram mais finas e frágeis que as obtidas nas parcelas controle que foram tratadas com as algas marinhas.

 

Entretanto, ao se observar a massa e número de brotos, pode-se observar que os tubérculos tratados com algas marinhas apresentaram brotação normal, com caules mais espessos e brotos mais resistentes, e nas raízes ocorreu maior número de radicelas e brotações mais vigorosas e resistentes. O tratamento com GA3 produziu brotação alongada e mais frágil.

A figura 2 mostra a porcentagem de aumento, com controle como base 100. Pode-se observar que a introdução das algas marinhas promoveu, em relação ao controle, aumentos de 11% em massa de raízes, 28% em massa de brotos e 45% em número de brotos. Os resultados, expressos dessa maneira, mostram que o uso das algas marinhas se mostrou mais ao emprego do ácido giberélico: foi superior quanto ao número e massa de brotos.

 

Figura 1 – Massa verde de raízes e de brotos (g parcela-1) e número de brotos por parcela.

Figura 2 – Porcentagem de aumento de massa de raízes e massa e número de brotos, com controle com base 100.