Oceana e CEO Daniel Dall Asta Frasson, participam da Feira Nacional do Camarão (Fenacam)

Enquanto o mercado mundial do camarão se descabela com novas notícias de contrabando do crustáceo para a China via Vietnã, a carcinicultura brasileira se prepara para mais uma edição da Feira Nacional do Camarão (Fenacam).

Mais uma vez em Natal (RN), entre 13 (abertura oficial) e 16 de novembro, a feira chega à 15ª edição com o setor ainda em recuperação produtiva pós-mancha branca, mas sem retomar a participação no mercado externo. Em 2018, o Brasil exportou apenas 146,3 toneladas de caudas de vannamei, resultado ainda pior que em 2017 (182,9 toneladas).

Por outro lado, o mercado interno ainda não vê grandes incrementos de volumes produzidos segundo os dados oficiais da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), que calculou 60 mil toneladas no ano passado e um incremento próximo a 10% para 2018.

A produção nacional, toda absorvida pelo mercado interno, segue muito tímida diante do potencial produtivo evidenciado pela Fenacam. A feira ganha ainda mais importância neste contexto, já que trará tecnologias e conteúdo mercadológico e científico orientado a acelerar esta expansão.

A programação das palestras do XV Simpósio Internacional de Carcinicultura e do XII Simpósio Internacional de Aquicultura ocorrerão das 8h30 às 13h dos dias 14 a 16 de novembro. Já a feira propriamente dita, oficialmente XV Feira Internacional de Aquicultura, ocorrerá das 14h às 22h.

Destaques dos expositores

Algumas empresas já anteciparam as novidades que apresentarão no Centro de Convenções de Natal. A Camanor vai aproveitar o evento para expor a nova fase da empresa, depois de vender 40% de suas ações ao grupo Charoen Pokphand, por meio da sua divisão alimentícia (CPK). 

Além do estande, que no ano passado trouxe um camarão robótico articulado, a participação também contará com uma apresentação em 14 de novembro, a partir das 15h, na sala 1 do auditório Morton Mariz, no Centro de Convenções de Natal. A entrada é gratuita mediante convite, que pode ser acessado e impresso no site da empresa.

A intensificação do cultivo de camarão continua na crista da onda e será tema de apresentações no simpósio e na própria feira, por meio de companhias interessadas em comercializar suas soluções para este segmento. Um dos exemplos é a Zanatta, especialista em estufas para sistemas de recirculação e bioflocos.

A empresa aproveitou as redes sociais para divulgar as estruturas “estufadas”, dedicadas à manutenção de temperatura. A estabilidade térmica é essencial para a manutenção das condições adequadas a estes sistemas, que reduzem drasticamente a necessidade de renovação de água – a estimativa é que uma carcinicultura tradicional extensiva consuma em torno de 80 mil litros de água para cada kg de camarão produzido.

Outro aspecto fundamental destes sistemas é o fortalecimento do sistema imunológico ou digestivo dos animais. Atentos às exigências de digestibilidade e resistência, os produtores buscam soluções naturais ou sintéticas capazes de melhorar o desempenho dos camarões, como pré e probióticos.

Uma das novidades neste âmbito é o Algen Acqua, fertilizante mineral de origem biológica vegetal da alga marinha lithothamnium apresentado pela brasileira Oceana Brasil. O produto possui mais de 70 nutrientes minerais e orgânicos e pode servir como alternativa aos calcários, carbonatos de cálcio, bicarbonato de sódio, prebióticos e óxidos de cálcio (exceto em caso de esterilização de doenças).

Segundo a empresa, o cultivo de camarões pode ser beneficiado com outras propriedades do produto, como a liberação imediata de nutrientes de alta biodisponibilidade, fonte de macro e micronutrientes minerais e aminoácidos, condicionamento químico do solo e da água, redução da acidez do solo e tamponamento do pH da água.

A empresa menciona resultados obtidos em tese de mestrado apresentada na Universidade Federal do Ceará (UFC) para indicar que, com o produto, uma dose de 250 kg/ha do produto promoveu um aumento de 155 kg de camarões/ha e uma dose 500 kg/ha gerou um aumento de 300 kg de camarões/ha.

 

Fonte: SeaFood Brasil